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2 de janeiro de 2014

O peso que a gente leva...

Feliz ano novo!! =)

Mais de um ano sem aparecer, na verdade quase dois anos sem dar as caras por aqui. Muitas coisas, muitas coisas aconteceram... Porém elas não vem ao caso neste momento.
O que acontece é que, reveion (tá errado, eu sei, mas gosto de escrever assim. Beijo.) passou, 2013 acabou, e um novo ciclo se inicia...
Hoje, ao acessar meu e-mail para uma faxina básica, me deparei com a mensagem a seguir, e esta me despertou uma vontade muito prazerosa de voltar a escrever nesta página, em transforma-la, reutiliza-la, torna-la veículo de mensagens como esta.
Para contextualizar: Um dos meus objetivos para este novo ano é viajar, muito, para longe, para perto, o quanto puder (ultima viagem que fiz foi em 2011 ~ chorei. ~ Vindo de um ritmo de 5 anos com no mínimo 2 viagens por ano! ~ Nunca saí do país. ~).
E refletir sobre o peso de minhas bagagens (principalmente diante desta viagem que realizamos desde do instante que nos tornamos "vida"), se fez bem pertinente neste momento, me identifiquei muito com o texto, inclusive com a maneira de escrever.
Espero que para quem ler, também sirva como um "despertar".
~
O peso que a gente leva...
O perigo da viagem mora nas malas. Elas podem nos impedir de apreciar a beleza que nos espera. Experimento na carne a verdade das palavras, mas não aprendo. Minhas malas são sempre superiores às minhas necessidades. É por isso que minhas partidas e chegadas são mais penosas do que deveriam.
Ando pensando sobre as malas que levamos...
Elas são expressões dos nossos medos. Elas representam nossas inseguranças. Olho para o viajante com suas imensas bagagens e fico curioso para saber o que há dentro das estruturas etiquetadas. Tudo o que ele leva está diretamente ligado ao medo de necessitar. Roupas diversas; de frio, de calor – o clima pode mudar a qualquer momento! – remédios, segredos, livros, chinelos, guarda chuva – e se chover? –, cremes, sabonetes, ferro elétrico – isso mesmo! – Microondas? – Comunique-me, por favor, se alguém já ousou levar.
O fato é que elas representam nossas inseguranças. Digo por mim. Sempre que saio de casa levo comigo a pretensão de deslocar o meu mundo. Tenho medo do que vou enfrentar. Quero fazer caber no pequeno espaço a totalidade dos meus significados. As justificativas são racionais. Correspondem às regras do bom senso, preocupações naturais para quem não gosta de viver privações.
Nós nos justificamos. Posso precisar disso, posso precisar daquilo... Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos. Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o colchão para ser despachado? As perguntas são muitas... E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez? Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou. Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que mais da metade do que levei não me serviu pra nada. É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências. E nisso mora o encanto da viagem. Viajar é descobrir o mundo que não temos. É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence. E então descobrimos o motivo que levou o poeta cantar: “Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!” Ele tinha razão. A partida nos abre os olhos para o que deixamos. A distância nos permite mensurar os espaços deixados. Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo. Ao ver o mundo que não é meu, eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território. É consequência natural que faz o coração querer voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou.
É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro.



Vida e viagens seguem as mesmas regras. Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver. Por isso é tão necessário partir. Sair na direção das realidades que nos ausentam. Lugares e pessoas que não pertencem ao contexto de nossas lamúrias... Hospitais, asilos, internatos.. .
Ver o sofrimento de perto, tocar na ferida que não dói na nossa carne, mas que de alguma maneira pode nos humanizar.
Andar na direção do outro é também fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa. Não tenha medo das ausências que sentirá. Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu. Não leve os seus pesos. Eles não lhe permitirão encontrar o outro.

Viaje leve, leve, bem leve. Mas se leve.
~
Obs.: No e-mail que recebi, constava como sendo de autoria do Pe. Fábio de Melo, não conheço a veracidade desta informação, nem os trabalhos do Padre, mas deixo aqui registrada minha gratidão pela mensagem ao autor.
E para quem encarou ler até aqui, meu muito obrigada também.
Paz, luz e um forte abraço nesta viagem!

23 de maio de 2011

A Mulher da minha vida.

Desde sábado que eu queria ter escrito algo sobre a mulher mais Foda (desculpem o termo!) que eu conheço, a mulher que Eu tive a honra de transformar em Avó! Dona Heloisa Maia (ou Izinha pros mais intimos), ontem (22 de Maio) foi aniversário dela, 82 primaveras, e fiz questão de estar com ela no seu desjejum, acordei cedinho e fui tomar café da manhã com ela. =)


Coisa mais linda e teimosa da minha vida é ela, linda mesmo. Sabe muito dessa vida, e sempre lidou com muito bom humor, sempre tirou de letra as pedras do seu caminho, 7 filhos (4homens + 3mulheres = seres lindos!), 13 netos (com o 14º a caminho!), 60 anos como costureira de noivas, uma mulher guerreira. 
Separou-se cedo do marido, num tempo em que divórcio era feio. Criou como uma leoa os filhos, sendo um deles excepcional desde o seu nascimento. 


Lembro do meu pai (o homem da minha vida) contando histórias da sua infância, da sua relação com ela. Papai tem o mesmo senso de humor que ela, (minha gente, vocês não tem noção do que eu tô falando é coisa de Deus, juro!), assistir á um diálogo dos dois é a coisa mais linda do mundo.
Ela é até motivo de piada entre os seus irmãos, pois só se refere aos seus filhos como "meus santinhos" (os netos são "anjinhos"!). Os filhos só a tratam como "minha mãe amada". 
É muito amor, muito, do mais sincero, do mais puro. E essa é, sem dúvida a maior lição que essa mulher passa para os "seus". 


Agora com o avançar da idade, ela requer mais cuidados, atenção, nada extremo, é só o cuidado que ela sempre teve sendo retribuído, mas quem disse que ela recebe de bom grado?! Menino, ela é geniosa, não gosta que ninguém lhe ofereça ajuda para nada, vive dizendo que não é incapaz, mas cuidados são necessários, volta e meia ela nos dá um susto por conta dessa teimosia. Mas ela sede um pouco aqui, a gente um pouco alí e vamos driblando os obstáculos do destino. 
Deus permita que ela ainda fique por muito tempo conosco, sempre com suas piadas, sorrisos e teimosia, nos ensinando a forma mais linda de amar. 


Reparem nessa foto, ela estava com 40 anos (Juro!), já tinha os seus 7 filhos, e é a mulher mais linda que eu já ví na vida:



Papai é o magricelo de óculos. =) Coisa linda!


Bom, eu escreveria um livro sobre ela, e suas histórias, mas deixo aqui a minha humilde mensagem de carinho a mãe (avó, tia, irmã...), mulher da minha vida. 


Beijo gente. Uma linda semana pra gente!


Obs.: Fim de semana doido! 
Passou que eu nem senti direito minha gente. =O
Só pra constar; Kamila, eu te amo. Renata, eu também te amo, mesmo a gente não conseguindo se ver como gostaríamos. E Florinha, parabéns linda! Te devo um abraço apertado!

4 de maio de 2011

Questões públicas.

Me ocorrem alguns questionamentos, gostaria de compartilha-los...


Mais uma vez as chuvas estão atormentando cidades aqui do Nordeste, falo principalmente das do interior de Pernambuco. Eu vivo aqui, na capital, mas estudo à 135km do Recife, em Caruaru, onde ontem fui assistir aula, e nunca senti tanto medo de ficar isolada por causa da água, a cidade está tomada, os rios enchendo, todo o percurso da BR 232 (entre Recife e Caruaru) está bem complicado.
A Defesa Civil do estado, tem trabalhado, até agora, de forma impecável, já retirou as famílias ribeirinhas das zonas de alagamento, salvando suas vidas: "Segundo a Defesa Civil Estadual, a estimativa é de que cerca de 17,5 mil pessoas estejam fora de casa no estado." (Fonte Portal G1). Aí eu pergunto, todo ano vai ser isso? Por que não é a primeira vez que isso acontece. E essas famílias (massa que ta todo mundo vivo, isso é foda!) vão ter que recomeçar todo ano? Montar suas casinhas e juntar suas coisinhas, pra água vir e levar tudo de novo? Graças a Deus, eu nunca passei por nada parecido, mas eu imagino a angústia dessas pessoas, de não ter o seu cantinho, suas coisas, e ficar vivendo de "favor" por tempo indeterminado... Sei não viu, deve ser MUITO foda.


Eu estava conversando com uma amiga, agora pouco, e comentávamos sobre essa situação; Ela falou que achava que a galera era burra e tal de voltarem a fazer suas casas no mesmo lugar que alagou, sabendo que correm o risco de alagar tudo de novo - Para inserir você, leitor, no contexto, essa galera das cidades afetadas são em sua maioria pequenos produtores agropecuários, vivem daquilo que produzem e priu. E já vivem nessas regiões ribeirinhas há muitas gerações. - Daí eu disse: "ah cara... são pobres, eles só tem aquele lugar pra viver, eles precisam ser orientados, precisam de atitudes de quem governa, de quem manda, eles sempre viveram alí.". Ela concordou, e frisou que o problema é justamente a falta de atitude dos governantes, e que a população precisa ser orientada. 


O que me angustia, é o sofrimento desse povo, é ter de recomeçar do zero, é ter que, literalmente, esperar a chuva passar e a água baixar pra voltar pra casa. Até quando vai ser assim? O que realmente pode ser feito? Eu não sei, eu entendo muito pouco (quase nada) de administração pública, mas tenho sempre a sensação de que tem alguém tirando vantagem da desgraça alheia, posso estar enganada, espero estar enganada.

Bom era desse problema, nada miúdo, que eu queria tratar, acho que não tenho muito jeito para lidar com assuntos nos quais não domino, mas só em compartilhar o que me incomoda eu já me sinto um pouco aliviada.

Vamos pensar no que pode ser feito, e acho bacana o lance de olharmos o entorno, e não só o nosso umbigo, ou o que nos atinge diretamente.

Beijo. Até mais. 

30 de julho de 2010

(Im)Paciência

To gorda, chata, impaciente, anciosa, inquieta... Nada me satisfaz. A saudade de casa ta doendo.
E os amigos que fiz aqui são poucos...

E agora?

Vou contar uma historinha aqui:
"Quando eu era criança, tinha tipo uns 12/13 anos, aconteceu uma fatalidade no prédio que minha
madrinha morava (um menino se jogou do 15º andar). -Não eu não vou me jogar de lugar nenhum!-
ela morava no 5º, eu sei que foi uma coisa horrorosa (eu não estava lá quando isso aconteceu) minha madrinha conta que foi um barulho muito forte... enfim, vamos ao que eu quero contar de fato.
Depois desse ocorrido, minha madrinha juntou os sobrinhos e o filho (que é só um ano mais novo que eu) para conversarmos, e esclarecer pras crianças (nós!) porque que essas coisas acontecem. Ela usou uma ótima metáfora, ela disse mais ou menos assim:

-A nossa cabeça, os nossos sentimentos são como as coisas que a gente come. Quando a gente come alguma coisa ruim, que a gente não gosta, isso vira cocô e a gente tem que por pra fora, se não põe, a gente passa mal e fica com dor. Esse menino (o que se jogou lá), com certeza tinha muita coisa ruim dentro dele que ele não colocou pra fora, por isso ele "passou mal", ele devia estar com muita dor. Então, sempre que vocês (nós, crianças!) tiverem alguma coisa ruim dentro de vocês botem pra fora, façam esse cocô sair de alguma forma, não deixem que comece a doer, combinado?!-

Nossa, vou levar essa lição do cocô pro resto da minha vida!" =)

Hoje encaro esse blog, quase como um vaso sanitário, to fazendo meus cocôs aqui, pra ver se essas coisas param de ser tão indigestas.
Ainda to com um pouco de "azia e má digestão" mas fiquem tranquilhos, nada está doendo. É muito difícil eu deixar que as coisas cheguem ao estágio da dor.

Ps.: Lá no começo falei que aqui tenho poucos amigos, que fique claro que isso não significa que não são bons amigos, acho que é uma das melhores safras de amigos que eu já tive. ;)

7 de julho de 2010

(Re)Começo

Seguinte, vamo dá um desconto pra criatura aqui, afinal eu nunca fiz isso antes, e é tentando que a gente pega o jeito da coisa.

Esse texto que segue foi um texto que eu escrevi no fim de Novembro do ano passado, quando eu pretendia por esse blog no ar, mas foi tanta coisa no meu juízo que o texto ficou salvo no rascunho aqui e hoje quando eu fiz o primeiro post a minha angustia era tanta em por aquela agonia pra fora que eu nem li o que tava no rascunho. Agora a noite depois de conversar com algumas pessoas e de avaliar melhor as coisas, achei sensato tentar começar "do jeito certo". Esse é um pedacinho da minha história:

"Nunca pensei que um dia fosse postar algo na internet sobre o fim de um casamento de 24 anos, o casamento dos meus pais.
Pois é, quem diria que seria conselheira da minha própria mãe; "A sua vida não se resume a esse casamento!", "Agora, você tem que pensar só em você!", e etc. Pois é isso que tenho feito nesses ultimos dias, aconselhado minha mãe, com conselhos que uso pras amigas, que terminam namoros de poucos meses, sabe? Não existe uma receita para "como aconselhar mulheres em fim de relacionamentos", mas se existisse acho que seria a mesma receita, independente do tempo que durou aquele relacionamento. Ela ta superando, da forma dela, mas tá.
Do outro lado tem o meu pai. É foda falar desse homem, amo-o mais do que a mim mesma, nunca tive duvidas disso, sei o quanto tem sido dificil pra ele (mesmo que a decisão tenha partido dele), foi ele quem saiu de casa, perdeu o contato diário com as filhas, com a tv, com a sua cabeceira... É sempre muito dificil se adaptar a mudanças.
E eu? Ah, eu to bem... não sou mais criança, sei que essa é a melhor decisão, por mais que haja sofrimento, ele é inevitável nessas situações.
Faltando pouco mais de um mês pro fim do ano, eu tenho que aprender a ter uma rotina de pais separados, 1º natal de pais separados, 1º ano novo de pais separados... Faltou eu contar um detalhe importante, em janeiro eu me mudo pra uma cidade que fica a aproximadamente 3000km de distancia dessa rebordosa (ouvi muito essa palavra nesses dias, gostei dela), to indo estudar em outra instituição por um ano, mas isso é assunto pra outros posts"

Pois é, isso passou, já estamos em julho. Não, meus pais não voltaram, continuam separadinhos da silva, cada um no seu canto, tocando sua vida. Eu estou aqui nessa cidade distante, citada no texto, longe da minha familia, dos meus amigos, dos meus costumes, dos meus lugares... Eu não estive lá nesses 6 meses.
Recebi algumas visitas bem especiais, enfim, tô tocando o barco, vivendo coisas que não pensava que fosse viver, aprendendo coisas incríveis e errando, por que a gente também tem que errar.

Acho que agora eu to fazendo do jeito certo né?! Contextualizando pra poder descontextualizar. (Gostei disso!) Mais pra frente vai dar pra entender um pouco mais das coisas. Ou não.

Ps.: Não vou apagar o 1º post (o da sogra lá) por que faz parte de um desabafo, de algo que anda me aperriando mesmo. Mas quem lê faz de conta que esse é o 1º, blz?

Gripei! :/

Despertei me percebendo, olhando para o que estou sentindo e para a forma que experimento o que estou sentindo... (aff! Cabeçuda demais! Sim...