9 de abril de 2022

Sábado



Deixa eu te contar que hoje, há alguns instantes, me peguei pensando em algo e senti de trazer para compartilhar... Por muitos, muitos anos as minhas manhãs e/ou tardes de Sábado eram comprometidas com algum projeto/trabalho/curso.

Eu não podia acordar um pouco mais tarde, eu não podia ir pra praia, eu não conseguia fazer um plano de viagem para o fim de semana, porque nos sábados eu sempre tinha algo. E eu sou do tipo de pessoa que quando se disponibiliza e se compromete com algo, eu não falto.

Na adolescência eu fui muito participativa em grupo de jovens da Igreja, então tínhamos umas reuniões aos sábados pela tarde, e ações junto a comunidade que a paróquia assistia.

Quando eu era estudante de Design (2006-2011) eu estava sempre envolvida nos movimentos estudantis de Design, então sábado era o dia de reunião, quando não tinha, eu estudava Alemão (sim eu já estudei Alemão, por 2 anos. Mas isso é outro assunto.) E as vezes era Alemão de manhã, e reunião a tarde.

No período de transição entre Design e Psicologia (ano de 2012), eu trabalhei no comércio, num shopping (também posso falar sobre isso depois), e para quem trabalha em shopping não existe final de semana, na verdade o fim de semana é justamente quando tem mais trabalho. Todo o meu primeiro ano da faculdade de Psicologia eu paguei com esse trabalho. Depois eu saí do shopping e durante a graduação de Psicologia (2013-2017) eu fiz alguns cursos, formação em Constelação e rolavam uns compromissos do Centro que sou voluntária até hoje. Então eram muito raros os fins de semana livres.

Ao concluir a graduação eu entrei para a Formação em Gestalt-Terapia do @Mutuar, onde algumas atividades aconteciam nos fins de semana, e estava trabalhando como Psicóloga contratada de um espaço de Atenção Psicossocial, e quinzenalmente eu era a Psicóloga de plantão dos sábados, quando eu não tinha formação ou plantão, eu abria os grupos de Constelação. Tás entendendo?

Aí assim, você poderia me perguntar, mas tu gostava disso? Sim, eu amava! Entretanto havia momentos em que eu não ficava confortável. Eu sempre me apoiei no argumento de “sou jovem, não tenho filhos, e esse é o momento de trabalhar muito e investir em mim!” Ok. Esse pensamento é coerente, mas ele tem um preço também: O cansaço e a redução dos meus grupos de relações sociais aos meus pares. Eu não tinha como descansar, cuidar da minha casinha ou escolher sair, viajar, conhecer novas pessoas, novos universos. Confesso que o que mais batia aqui era a questão do cansaço e nesses períodos aí eu tive relacionamentos, que as vezes eram atravessados por esta minha “indisponibilidade” nos fins de semana.

Tu nunca mais vai trabalhar ou se envolver em alguma atividade aos sábados? Eu penso que isso é impossível, mas hoje eu posso ESCOLHER o que faz sentido e onde eu vou imprimir a minha energia e o meu tempo. Inclusive, posso escolher trabalhar aos sábados, entendendo que o sábado tem outro valor e isso pode ser repassado ao meu cliente.

Eu tenho 100% de certeza que não estaria aqui se não tivesse percorrido esse caminho. Feito essas escolhas.

Eu sei que muitas vezes você se sente cansada, não vê alternativas, e parece que o mundo só quer sugar o teu tempo e tua energia.

Nessas horas, lembre-se que você tem o poder de ESCOLHER quem está perto de você, onde você quer investir o seu tempo, sua atenção e sua energia de criação. Se cerque de mentores, amigos, parceiros que querem te ver voar e te inspiram.

Isso muda a perspectiva, sabe?

17 de janeiro de 2022

Uma carta para Ju de 2014

Gente, que coisa louca... 

Reencontrei esse blog abandonado em 2014, enquanto faxinava meus e-mails e redes, não me lembro bem como vim parar aqui, deixei a aba aberta pra voltar fuçar quando tivesse mais tempo e vontade. 

O fiz hoje, 17 de janeiro de 2022. E que coisa linda! hahahah

Sério, gosto de ler as coisas que escrevi, gosto de me reencontrar com essa Ju do passado. Gosto de perceber que algumas coisas se mantém, se preservam e se fortalecem com o tempo. A minha forma de escrever, de me expressar é uma dessas coisas que me agrada muito. 

Talvez lá em 2014 eu idealizasse algumas coisas que ainda não alcancei, na verdade enquanto escrevo, penso que tomei um rumo diferente do que a Ju de 2014 poderia ter previsto ou imaginado pra gente.

"Pois bem, estou bem Ju! Conseguimos a autonomia desejada, a independência material, profissional, emocional (nem tanto, mas estamos num bom caminho!). Hoje você mora só, num lugar bonito e acolhedor, ainda sendo construído do melhor jeito pra gente. Hoje você fala pra mais pessoas, ainda não são muitas como podem ser, mas confio que tudo tem seu tempo para acontecer. 

O seu trabalho enquanto Consteladora é reconhecido, você tem uma boa formação em Psicologia e especializou-se em Gestalt-Terapia. Enfim... não vou falar dessas coisas profissionais, pois sei que por mais que você seja muito apaixonada pelo seu fazer e sua forma de servir ao mundo (sim, eu sei que essa paixão nos acompanha desde os tempos da escola) o que nos atravessa é mais sutil, porém afiado: 

As emoções. Os afetos. Seguimos sensíveis (que bom! Endurecer-se não combina conosco), romântica, sonhadora e apaixonada pelas pessoas, histórias e encontros. Toda semana (mentira não é tão intenso assim) uma paixão avassaladora, a certeza de ter encontrado o pai dos nossos filhos... hahahahha

Há algumas semanas comprei um livro com seguinte título: "Amores eternos de um dia."
Quando mostrei para o meu Psicólogo, ele riu. Daí tu tira...

Estou feliz com esse reencontro, com o nosso reencontro. Penso que a sua contribuição será MUITO bem vindo neste novo momento de nossas vidas. 

Até breve, Ju!"

Até breve.

Gripei! :/

Despertei me percebendo, olhando para o que estou sentindo e para a forma que experimento o que estou sentindo... (aff! Cabeçuda demais! Sim...